Artigo publicado no Assovio - Periódico da Associaćčo Gaúcha do Violčo, v. 1, n.4, Porto Alegre, 2000.

 

APERFEIāOANDO A EXECUāŐO DO TREMOLO

Daniel Wolff

 

Um dos problemas mais notórios do violčo é sua incapacidade de sustentar notas longas. Uma alternativa encontrada para contornar este problema foi o desenvolvimento do tremolo, no qual cada nota de uma melodia é repetida várias vezes rapidamente, criando parcialmente a ilusčo de notas longas sustentadas por um espaćo de tempo maior. Através dos séculos, vários compositores utilizaram o tremolo em suas obras, dentre eles Dowland, Paganini, Tárrega (no célebre Recuerdos de la Alhambra), Ponce, Britten e Rodrigo. Sendo o tremolo freqüentemente encontrado no repertório do violčo, o domínio desta técnica é de fundamental importČncia para o violonista. Para este fim, o leitor encontrará neste artigo diversos exercícios destinados a aperfeićoar a execućčo do tremolo.

Existem dois tipos principais de tremolo: de quatro e cinco notas, conforme ilustrado no exemplo 1. O tremolo de cinco notas, mais raro, é utilizado no estilo flamenco. Neste artigo, discutirei o tremolo de quatro notas, por ser o mais frequentemente encontrado no repertório do violčo.

A maior dificuldade na execućčo do tremolo é obter um equilíbrio rítmico e dinČmico entre as notas executadas pelos dedos indicador, médio e anular. Um exercício muito proveitoso para resolver esta dificuldade é alternar a acentuaćčo em cada um dos dedos da mčo direita, permitindo o desenvolvimento parelho de todos os dedos (exercício 1). Como a maior dificuldade encontra-se entre os dedos anular e médio, que sčo anatomicamente menos independentes, é recomendável praticar uma variaćčo do exercício anterior com ritmo em quiálteras, eliminando-se o dedo indicador (exercício 2). Também é recomendável praticar uma outra variaćčo eliminando-se o dedo polegar (exercício 3). Note que o último item do exercício 3 nčo está em quiálteras, mas sim em semicolcheias, permitindo a prática da acentuaćčo a cada quatro notas aplicada a uma fórmula de digitaćčo envolvendo trźs dedos, uma ótima forma de adquirir o controle na independźncia entre os dedos indicador, médio e anular.

É importante aclarar que, apesar de que as notas tocadas pelos dedos indicador, médio e anular devem manter o mesmo timbre e dinČmica, as notas tocadas pelo polegar podem (e muitas vezes devem) ocupar um plano dinČmico distinto. Geralmente, a linha melódica no tremolo é executada pelos dedos indicador, médio e anular, como no exemplo 2. Neste caso, as notas tocadas pelo polegar devem ficar em segundo plano. Já no exemplo 3, vemos uma passagem na qual a melodia principal está no baixo (polegar), enquanto que os outros dedos mantém uma nota pedal. Neste caso, as notas tocadas pelo polegar devem soar mais fortes. É de fundamental importČncia para o violonista ter amplo domínio destas duas alternativas dinČmicas, pois frequentemente será necessário alternar várias vezes entre ambas no decorrer de uma passagem.

Finalmente, uma vez dominados os problemas de equilíbrio rítmico e dinČmico descritos acima, deve-se praticar mudanćas de corda, seja com o polegar ou com os outros trźs dedos. Como a maior dificuldade ocorre quando a mudanća envolve cordas nčo contíguas, o exercício 4 enfoca a alternČncia entre as cordas 4-3 e 6-1, objetivando obter o domínio na passagem de cordas contíguas (4 e 3) para as cordas mais distantes entre si (6 e 1).

Os exercícios incluídos neste artigo sčo suficientes para que o violonista adquira o domínio da execućčo do tremolo. Convém lembrar, porém, que bons resultados só serčo obtidos através da prática diligente e constante. É importante repetir aqui que a obtenćčo do equilíbrio rítmico é de fundamental importČncia para que o tremolo soe claro e fluído. Portanto, pratique estes exercícios numa velocidade que permita o total controle destes elementos. Bom estudo.

 

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